Ferramentas Pessoais
Você está aqui: Página Inicial Notícias Acervo digital traz documentos da luta no campo
 

Acervo digital traz documentos da luta no campo

Arquivo de Lyndolpho Silva é fundamental para entendermos o Brasil de hoje.

Manuscritos, originais datilografados, impressos e fotos relacionados ao sindicalismo rural brasileiro, em especial antes de 1964. Um vasto material, composto por mais de 240 documentos e 1.200 páginas, compõe o arquivo digital Lyndolpho Silva, disponibilizado na internet (http://www.ufrrj.br/cpda/als/) pelo Programa de Pós-Graduação de Sociologia em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ). A organização do acervo teve apoio do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Lyndolpho Silva foi sindicalista e ativista político. Ele reuniu e guardou inúmeros documentos durante certo período de sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). "É um acervo de memória, que oferece elementos para ajudar a escrever a história do nosso país", diz o professor Luiz Flávio de Carvalho Costa, que coordenou a equipe de organização e digitalização do acervo.

O arquivo reúne documentos diversos acumulados por Lyndolpho Silva como anotações, teses, correspondências, declarações, entrevistas, legislação, listagens, manifestos, relatórios, atas, resoluções, e até os apontamentos relativos à organização dos trabalhadores rurais, bem como ao movimento sindical e operário. Os documentos estão organizados por tipo e, segundo Costa, serão exploradas ainda as possibilidades de recuperação da informação, que os recursos digitais oferecem.

"A importância da documentação por ele acumulada, e que sobreviveu ao período de repressão, é equivalente ao papel luminar que ele desempenhou na luta pela incorporação do trabalhador rural ao processo político brasileiro", opina o professor.

Recuperação

Parte dos documentos foi colhida no final dos anos 1980, quando Costa manteve contato direto com Lyndolpho Silva. "Tivemos longas conversas que foram, para mim, lições de história do Brasil, dadas por um homem inteligente, amável e generoso. Naquela época ele confiou a mim algumas caixas de documentos sindicais", conta. Quando Silva adoeceu, sua mulher entregou a Costa uma nova caixa com mais documentos. Uma terceira parte foi cedida a Costa pelo pesquisador Paulo Cunha, que também teve contato com Lyndolpho Silva.

Para Luiz Flávio Costa, o acervo é fundamental para entendermos o Brasil de hoje. "O país viveu, de 1945 a 1964, um período de muitas realizações e incorporação das massas populares no processo político-partidário, além da construção da rede sindical rural brasileira, nos anos 1950. Lyndolpho Silva tem um papel destacado na construção dessa rede sindical, e seus papéis 'falam' sobre esses acontecimentos", ressalta o professor.

Os documentos já organizados e digitalizados são relativos ao período que começa em 1944, a partir do decreto-lei sobre associação sindical das classes rurais, e vai até 1964, com a ata de posse da diretoria e conselho fiscal da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Alguns arquivos ainda não estão disponíveis on-line. Conforme Costa, há um projeto para que o site se transforme em Coleção Lyndolpho Silva, com a ampliação de documentos históricos.

A receptividade do projeto é positiva, segundo o organizador. "A Central Única dos Trabalhadores (CUT) nos convidou para apresentar o arquivo em encontro em São Paulo, em setembro deste ano", diz.

Atuação de Lyndolpho Silva

Presença notável nos cenários político e social brasileiro, na opinião de Luiz Flávio Costa, Lyndolpho Silva foi um dos principais responsáveis pela organização dos trabalhadores rurais do país. A experiência política do militante começou em 1952, no Rio de Janeiro, com o envolvimento que teve com posseiros do estado. A partir daí, Silva fundou a União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (Ultab) em 1954; participou da fundação da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) em 1963, e foi o primeiro presidente do órgão.

Permaneceu escondido sob risco de ser preso, de 1964 a 1973, e exilou-se na Europa em 1973, permanecendo como um dos três secretários da União Internacional dos Sindicatos dos Trabalhadores na Agricultura, Florestas e Plantações (UISTAFP). Voltou ao Brasil em 1979, beneficiado pela anistia, e morreu aos 80 anos, em julho de 2005, em São Paulo.

Através do trabalho conjunto com o Partido Comunista do Brasil (PCB), Lyndolpho Silva ajudou a fortalecer a organização de trabalhadores do campo, em 1945. Ele auxiliou, através de suas lutas e ações, o reconhecimento dos sindicatos e do Estatuto do Trabalhador Rural, sancionado em março de 1963 por João Goulart. "Ele conseguia manter um diálogo de alto nível com o trabalhador rural analfabeto, com o dirigente do Partido ou com uma autoridade da República. Portanto, o Partido tinha o homem certo para exercer a militância nessa delicada área que é o meio rural brasileiro", destaca Costa.

Fonte: http://www.mda.gov.br

Ações do documento