Brasil abriga oficina internacional de reciclagem de computadores
2006-06-30
Um grupo de especialistas em reciclagem de equipamentos de informática reuniu-se de 26 a 28 de junho no Hotel Blue Tree Park em Brasília para a 2ª Oficina Internacional: Responsabilidades Compartilhadas Sobre a Disposição Final de Computadores na América Latina e Caribe.
Durante a 2ª Oficina Internacional, participantes convidados de diversos países puderam discutir e trocar experiências sobre os impactos dos resíduos eletrônicos na América Latina e Caribe, e refletir conjuntamente sobre aspectos de regulação, responsabilização estendida de produtores, cadeias de negócios de recondicionamento e reciclagem, financiamento, pesquisas, incentivos e projetos de reaproveitamento para a inclusão digital não só de computadores, como também de toda a gama de produtos eletroeletrônicos que permeiam a Sociedade da Informação.
O evento foi organizado por SUR Corporación de Estudios Sociales y Educación, instituição chilena responsável por um projeto de pesquisa internacional sobre reciclagem de computadores, e contou com o apoio do International Development Research Centre – IDRC, ligado ao parlamento canadense, e do Instituto para la Conectividad en las Américas – ICA, associação do governo canadense com organismos multilaterais.
O recondicionamento de computadores usados, tema da primeira edição da oficina realizada em Santiago (Chile), foi considerado estratégia fundamental para atacar o problema dos resíduos eletrônicos resultantes do fim da vida útil dos aparelhos. Contudo, o aspecto central do evento foi a reciclagem e destino final de componentes, sobretudo os que carregam substâncias tóxicas e que causam danos ambientais e riscos à saúde humana.
Os temas foram abordados a partir do ponto de vista de governos, sociedade civil, setores privado e acadêmico, iniciativas associativas e de cooperação Norte-Sul e Sul-Sul, contando com participantes de Chile, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Venezuela, Nicarágua, Costa Rica, Canadá, Estados Unidos, Suíça, Holanda e de organismos multilaterais.
Para Cristina Mori, responsável pelo Projeto Computadores para Inclusão na SLTI/ MP, a oficina foi uma ótima oportunidade para trocar experiências e ampliar horizontes com relação à reciclagem. "A questão da destinação de resíduos já emergiu no projeto, e a participação nesta oficina internacional nos ajuda a conhecer alternativas", analisa Cristina, referindo-se ao centro de recondicionamento de computadores inaugurado em abril deste ano em Porto Alegre como unidade piloto do projeto brasileiro.
Vicky Martins, coordenadora regional para a América Latina e Caribe do programa Computadoras Para Comunidades – CPC, que impulsiona a criação de redes nacionais e regionais de recondicionamento para a inclusão digital, destacou que há interesses divergentes com relação ao tema, pois enquanto os projetos de inclusão digital desejam reaproveitar equipamentos usados, o setor de reciclagem dos componentes ganha pelo volume do que consegue separar e vender. "Precisa haver um casamento entre essas duas tendências, para que ambos saiam ganhando", avalia Vicky.
As conclusões da oficina servirão para referenciar os compromissos assumidos com relação ao tema, e balisar estudos, articulações conjuntas e a manutenção de uma rede de trocas contínuas entre os participantes. A próxima edição do evento deverá acontecer na Costa Rica, no segundo semestre. (SLTI/MP - 30/06/2006)